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um cão cujas malhas estrangulam as letras

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[05 Apr 2005|12:03am]
o mais vil ser da minha rua
faz um sorriso meigo a um par de putas encostadas a uma parede de tijolo burro
cujos rostos se desenham no centro de uma teia de aranha de açúcar
para depois quebrar os óculos na cabeça da sua amada

mais uma pevide [11 Jan 2005|10:49pm]
há uma criança à janela, um puto de meia idade e cabelo curto
imita o galo das traseiras e ele, galo, desolha
fixa a chamada na parede a fazer sombra

no pátio há menos luz
e coisas deixadas no chão pelo vento
mas mais nos cantos

o puto grita "je est un autre"
ordenando em seguida ao galo
que fale de si-mesmo

e eu olho-os cá da varanda
fremente varanda de palha e de verde
musgo tinta e ferrugem

só quero saber o que é o semantena nu utilizado como forma jussiva
para não chumbar outra vez a introdução à decência

[01 Jan 2005|06:33pm]
a minha mãe é virgem

[27 Dec 2004|02:51pm]

mil (sic)ómoros [26 Dec 2004|01:14pm]
actualizo-me:

que palavras de ordem chegaram até mim hoje?
não vejo comandos quaisquer que finja sentir minhas vontades

ainda não sou assim

yellow submarine [13 Dec 2004|01:52am]
é de evitar deixar recados nas entrelinhas. a tinta era branca mas eu bem os vi.
é feio.
quem me disse foi o cláudio, aquele que estuda. é uma pessoa muito interessante, deviamos ir todos à conferência que ele vai dar sobre os dispositos de vigilância na intimidade.

quem tem frigoríficos já pode baixar o braço.


a minha mãe mandou-me à loja
para comprar umas cuecas
eu comprei e gostei delas
só que eram amarelas.

comprem todos cuecas amarelas
cuecas amarelas
cuecas amarelas.

comprem todos cuecas amarelas
cuecas amarelas
cuecas amarelas.

podiasler-meestahistóriaassimdevagarinhocomoeugosto? [10 Dec 2004|11:46pm]
pergunto-me se uma banda de onze membros terá predominância de pernas ou de braços. poderia deixar de ser uma banda se se ocupasse do des-essas-coisas-ir do novelo embrulhado de ideias. foram outros rumos mais runs, acabaram-se as pilhas e foi a morte do artista. nem trapézio. já nem pode ir buscá-los lá fora; as energias e os pensamentos - queda-se cá numa imobilidade de se estar sorrindo as pássaros. voltar / não galhofar.
que diria o nuno bragança desta panóplia de constrangimentos e pecados pós-modernos? não vejo aqui retórica. só a dúvida para todo o sempre esquecida na arca dos não-saberes. o esquecimento redobra nas esquinas das paredes, de todas as paredes tirando naturalmente as côncavas. (curioso notar que também aqui há canaviais e avenidas que desembocam no rio. estou num autocarro.) haverá ouvidos do outro lado?
esta era eu a falar. é um solilóquio dos hospitais, todos os anos.
já era altura de começar a desenvolver coisas sérias. tenho frio.

[30 Nov 2004|03:22pm]
uma jovem florista cega

[23 Apr 2004|11:54am]
venho desejar-te um feliz aniversário
porque bebes da minha água
e porque estou triste

a fotografia do meu amigo
colada no monitor
ao lado do cosmos
assobia um sorriso
de bailarino das nuvens
"agarra-te às barbas de deus"
meu amigo

o reflexo dos corvos no poço
.

[28 Dec 2003|11:59pm]
simon né du dernier passo garrafa britannique escolar detentor farmacêutico ont nações large hostile avenida voire carlos só et au director tête
.

[28 Dec 2003|06:30pm]
era uma iula que estava fula com a actual
palidez dos gargalos
l'automne des prix
comme l'enfant et les sortilèges

não sei
vou-me embora
quando não estás cá por mim
eu
vou-me embora
quando tu és convulsão
sou belga e comando
quando as coisas me parecem mais claras
vou-me embora

passa-se a noite a beber febre no papel
é uma tristeza
"uma nulidade"
como diz o cão

as caricas da tua aldeia
são melhores e maiores
que as caricas da minha aldeia

acabaram-se as estações
e os vícios
a
cambalear
cambalevar-me daqui para fora
.

[23 Dec 2003|05:39pm]
bufalo delicado
numa cidade
que quebra ondas de lua

pai cigano
agachado sobre o tigre
manchado em almofada
virgem
como o suicídio

um milhão de hotéis de chocolate
uma magnólia na vila do cão
um parque
um dragão escondido
.

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